A GRANDEZA DE UM E A BAIXEZA DE OUTRO
Algumas pessoas
nos desapontam. Pensamos que são grandes mas, quando verdades sobre esta pessoa
aparecem, percebemos que são baixas como muita gente ruim. Há um político
paulista que eu pensava ser um homem de grande estatura política e social, que
escrevia livros e textos de autoajuda e parecia ser uma renovação nesta
desgastada política brasileira. Não é que se descobre que o tal político também
era corrupto? Há um pastor no Rio de Janeiro que era um símbolo nas negociações
com traficantes e transformações e agora há acusações de que teria realizado
orgias, estupros e tráfico. Caso se confirmem as acusações, mais uma decepção.
No texto bíblico
de Lucas 3.18-20, ouvimos falar de
dois homens. Um é grande e não nos desaponta. O outro é baixo demais em
dignidade humana a ponto de ser desprezível. A grandeza de João Batista e a
baixeza do rei Herodes Antipas.
Ao realizar seu
ministério, inclusive com palavras duras, João Batista evangelizou o povo de
sua época (v. 18). O Evangelho (boas novas da parte de Deus) é composto de
mensagem de salvação, mas também de julgamento sobre o que as pessoas fazem e
dizem. Não gostamos de palavras duras, de julgamento, que nos confrontam. Mas o
evangelho fala disso. O texto diz que João Batista evangelizava o povo para
consolá-los. Preste atenção: é a verdade da Palavra de Deus que consola e ajuda
as pessoas e não lindas palavras de autoajuda. Hoje em dia, a autoajuda
massageia o ego, mas desvia a atenção
das verdadeiras causas dos problemas. É interessante que João Batista tinha as
pessoas, o correto relacionamento delas com Deus e o desfrutar delas de uma
vida boa, como o alvo de seu ministério. João Batista amava as pessoas e por
isso tornou-se tão querido e prestigiado pelo povo. Se você quer ser querido,
necessita amar as pessoas primeiro e ajudá-las, sempre falando a verdade.
Por outro lado, temos
o vil rei Herodes Antipas (v. 19-20). Três informações mostram seu tipo de
caráter. A primeira é que ele havia seduzido e trazido para junto de si uma
mulher aqui chamada Herodias (v. 19). Esta Herodias era mulher de seu irmão.
Pois Herodes seduziu sua cunhada, divorciou-se de sua mulher e estava vivendo
numa confortável situação já que era o rei e não havia quem o desafiasse porque
tinha poder. Então, levantou-se um pregador rústico do deserto para,
publicamente, dizer que ele estava em pecado diante de Deus. João Batista
retoma a tradição profética do Antigo Testamento de condenar o pecado dos
poderosos (Elias com o rei Acabe, Natã com o rei Davi, etc.). Há atitudes
morais hoje em dia que, de tão comuns, tornaram-se aceitas pela sociedade mas
que, diante de Deus, constituem-se em pecado: sexo antes do casamento,
adultério, práticas homoafetivas e outras. Para estas atitudes, a solução
continua sendo o arrependimento e a prática de uma nova atitude obediente ao
Senhor.
A segunda
informação sobre Herodes Antipas é que ele fez muitas maldades (v. 19). Ele era
um homem de caráter maldoso. Isto nos serve de alerta. Embora todos sejam
pecadores, a maioria das pessoas cultiva um bom caráter, são honestos e
trabalhadores, cuidam bem de suas famílias e procuram ajudar os outros. Mas há
pessoas com uma inclinação terrível para o mal. Matam, caluniam, trapaceiam,
são violentos, acabam com a paz das pessoas que estão ao seu redor. Assim como
João Batista denunciou as maldades de Herodes, hoje precisamos denunciar estas
pessoas que têm a maldade como forma de vida. Quando uma mulher é espancada por
seu marido, uma criança é abusada sexualmente por um parente, um traficante
ronda uma escola, um chefe pede que participemos de um crime, em todos estes
casos deve haver uma denúncia. Embora sempre agindo com sabedoria (temos de
entender nossa força e possibilidades na hora em que sofremos ou vemos um mal),
devemos enfrentar os homens maus e não aceitar as situações que eles nos
impõem.
A terceira informação
é que, além de todas as maldades de Herodes, ele cometeu o desatino de colocar
João Batista na prisão, principalmente por causa das denúncias que João fazia. O
ignóbil rei Herodes prendeu o grande João Batista. Herodes tinha poder político
e por isso nem ligou para a opinião do povo que amava João Batista. Deus deixou
que isto acontecesse. Por que Deus deixa, como se estivesse ausente, um homem
mau prejudicar tantos homens bons? Não há resposta direta na Bíblia para isso,
apenas algumas pistas para uma possível resposta no futuro. Algumas destas
pistas: a) Deus julgará todos os homens pelo que fizeram e os castigará de
acordo com suas obras; b) ele permite um mal até certo limite, ele não permite
o mal sempre; c) ele usa a dor e o sofrimento decorrentes do mal para formar um
caráter muito melhor nos que sofrem. Mas a pista que eu mais gosto é a
seguinte: quando me perguntam, diante de uma tragédia e maldade colossais, “onde
está Deus?”, eu respondo que Deus estava na cruz, no lugar dos que sofrem. Pois
foi na cruz que Deus foi pregado e assassinado de uma forma injusta pelos
poderosos deste mundo. Deus sempre está ao lado e participando da dor dos que
sofrem. A cruz de Jesus é a resposta de Deus às maldades humanas.
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