O PECADO DA INVEJA E DO MONOPÓLIO DO NOME DE CRISTO
Durante séculos,
a Igreja Católica Romana achou que o nome de Cristo era monopólio seu. No
século XVI, ocorre a Reforma Protestante no seio desta Igreja. Os protestantes,
sem uma autoridade humana central, vão se dividir em vários grupos diferentes,
embora tenham a mesma base de fé. Os evangélicos, no Brasil, são descendentes
espirituais da Reforma Protestante e dos diversos grupos que se originaram dela
(luteranos, anglicanos, presbiterianos, reformados, etc). É interessante que
muitos grupos evangélicos, no Brasil, julgam-se donos do nome de Cristo. Estes
dizem que só sua igreja ou denominação segue a Bíblia corretamente e as outras
estão erradas. Há uma guerra suja no sentido de atrair os fiéis de outras
igrejas. O que Jesus, de quem usam o nome, tem a dizer sobre isto? A resposta
encontra-se em Lucas 9.49,50.
Em Lucas
9.47,48, Jesus diz que receber uma criança em seu nome, é recebê-lo. A criança
era o ser mais fraco na sociedade de Israel daqueles tempos. A lógica de Jesus
é a seguinte: todos devem ser recebidos e acolhidos no nome dele. João, um dos
apóstolos, talvez com dor de consciência, cita um caso que havia acontecido
recentemente com eles. Ele disse a Jesus: “mestre, vimos um homem expulsando
demônios em teu nome e procuramos impedi-lo porque não é um dos nossos” (v.
49). Um desconhecido usava o nome de Jesus para expulsar demônios. Era um
discípulo, mas não do grupo apostólico. Isto é fato porque ninguém o conhecia. Esta
pessoa estava tendo êxito na expulsão. Recentemente, os apóstolos foram confrontados
com um espírito maligno que não tinham conseguido expulsar (Lucas 9.40). Quando
aquele grupo, que andava sempre com Jesus, encontrou uma pessoa desconhecida
tendo sucesso exatamente onde haviam falhado, a inveja subiu no coração deles!
A inveja surge sempre em relação a alguém igual a nós. Ninguém inveja o sucesso
do Neymar, mas há inveja quando o colega é promovido e eu não. A inveja
consiste no desejo interior de destruir o sucesso do outro. A inveja, que é
interior, pode passar a ser externa quando eu tomo atitudes de destruição:
falar mal, preparar uma armadilha, agir com malícia, etc. A inveja é um pecado
porque glorifica o “eu” e não acolhe o outro. Leitor, você tem inveja de alguém?
Você fica remoendo seus pensamentos quando alguém igual consegue deslanchar na
vida e você não? Coloque-se diante de Jesus em oração, peça perdão e aceite e
alegre-se pelas bênçãos que ocorre em sua vida. Ademais, siga o conselho
bíblico: “alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram” (Romanos
12.15).
Os apóstolos
proibiram o homem de continuar a usar o nome de Jesus para expulsar demônios
porque ele não participava do grupo deles. A questão não era o fazer o bem
(expulsar demônios), mas não participar do grupo. Os apóstolos julgavam ter o
monopólio do nome de Jesus. Jesus então lhes respondeu da seguinte forma: “não
o impeçam, pois quem não é contra vocês, é a favor de vocês” (v. 50). Observe
que ensino monumental: o dono do nome, o próprio Jesus, não quer proibir
ninguém que use seu nome para o bem! E ele dá a fórmula para tomarmos decisões
em situações semelhantes: “quem não é contra nós, é a nosso favor”. Simples
assim. Nossa igreja ou grupo denominacional não é dono do nome de Cristo. Veja
com bons olhos toda pessoa, grupo ou igreja que, usando o nome de Cristo, faz o
bem. Mas veja, que faça o bem mesmo e não dê golpe nas pessoas para se
aproveitar delas.
Jesus está
agindo por outros meios, além da igreja. Muitas vezes, ele está agindo por
pessoas que desprezamos. Quando o bem é feito, associado ao nome de Jesus, não
nos cabe atirar pedras e nem sentir inveja. Cabe a nós, glorificar nosso Senhor
que é tão bom que exala sua graça através de muitos vasos diferentes. A inveja
e o despeito cegam, o amor e a tolerância libertam.
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