A RAPOSA, O FUNERAL E O ARADO
3ª Parte: O ARADO
Vivemos numa
sociedade em que a força do grupo sobre nossa opinião é muito forte. Muitas
vezes, tomamos decisões pensando no que nossos amigos vão achar de determinada
atitude. Outras vezes, nós não queremos tomar determinada atitude, mas o grupo
“obriga-nos” a tomá-la. Nossas opiniões sobre os acontecimentos apenas refletem
o que ouvimos nos meios de comunicação, sem nenhuma reflexão um pouco mais
profunda. Está cada vez mais difícil encontrar uma pessoa que, ouvindo tudo,
tenha opinião própria e viva por ela. No texto de Lucas 9.57-62, Jesus está
falando sobre o seu discipulado. Na 1ª parte (a raposa), Jesus nos diz
que quem quer ser seu discípulo deve saber que aceita um caminho de sofrimento,
como o dele, e que tudo que vier a ter não pertence a si próprio, mas a Deus.
Na 2ª parte (o funeral), ele diz que o seu discipulado tem prioridade sobre a
família do discípulo e sobre qualquer imposição cultural da sociedade. Agora
vem o 3º ensino que se encontra em Lucas 9.61-62: o arado.
Outro
pretendente ao discipulado tem o propósito de seguir a Jesus, mas impõe uma
condição: “vou seguir-te, Senhor, mas deixa-me primeiro voltar e despedir-me de
minha família” (v. 61). Para nós, do século XXI, esta condição é tão óbvia que
nem deveria ser perguntado, mas não era assim nos tempos de Jesus. Este
“despedir-me” de que ele está falando não é apenas um adeus a seus pais. Este
“despedir-me” significa que ele vai pedir autorização a seu pai para seguir a
Jesus. Se seu pai autorizar, ele segue; se seu pai não autorizar, ele não irá
com Jesus. Naquela época, o pai tinha controle total sobre os filhos, inclusive
os casados. Geralmente, moravam na mesma casa sob o controle do patriarca. Hoje,
há pessoas, coisas ou grupos a quem você precisa pedir permissão para seguir
Jesus e fazer a vontade de Deus? Se houver, você está na mesma condição deste
pretendente; então, ouça a resposta de Jesus.
A resposta de
Jesus a ele foi: “ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o
reino de Deus” (v. 62). Jesus não aceita como discípulo a pessoa que tem de
pedir autorização a alguém ou algo. Quem for discípulo tem de tomar a decisão
por si próprio e entrar firme nesta obra. Ele dá o exemplo do arado: naquela
época, para se fazer a plantação era usado um boi que puxava um arado (madeira
com uma ponta que abria a terra e formava sulcos no terreno). O lavrador tinha
de, com uma mão segurar o arado e olhar aonde ia, e com a outra mão tinha um
cabo com uma ponteira para fazer o boi avançar. Ou seja, ele tinha de ter
concentração total neste trabalho senão corria o risco de bater numa pedra e
quebrar o arado ou formar sulcos errados que prejudicavam toda a plantação.
Quem deseja ser discípulo de Jesus tem de ter atenção a este discipulado o dia
inteiro e todos os dias da vida. Se ficar distraído conversando com o mundo ou
olhando para trás e lastimando por ter perdido oportunidades no seu passado de
fazer outras coisas ou mesmo desejoso de voltar para a velha vida em que não
tinha compromisso com Cristo, não serve para ser discípulo de Jesus. Nem
comece! Apropriado ao reino de Deus é quem faz disto sua vida. O discípulo
dedica-se integralmente a este reino: tudo que fizer tem o propósito de
divulgar Jesus e seu reino. A 3ª lição do discipulado é: o discípulo entra “de
corpo e alma” nesta obra e nunca a abandona ou se descuida dela até que chegue
ao seu final.
Ao final destas
três lições sobre o discipulado, quero dizer algo importante para você, leitor.
Hoje em dia, nós, evangélicos, “alargamos” o discipulado de Jesus. A fim de
conseguir mais gente para nossas igrejas, nós facilitamos ao máximo que uma
pessoa siga a Jesus. Para ter a pessoa dentro da igreja, nós dizemos a ela que
não precisa renunciar a nada, não precisa abandonar vício nenhum, não precisa
se casar se vive em situação irregular, que ela pode continuar a ser a
mesmíssima pessoa que sempre foi e vai ganhar um rótulo de “crente”, “salvo”,
“membro de igreja” ou outro qualquer. Muito diferente de nós, Jesus, o
verdadeiro Senhor, estreitou o discipulado, como você viu nestes textos. Ele
não facilitou, ele dificultou e muito. Veja bem o que ele diz em outro texto:
“entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à
perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e
apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mateus
7.13-14). Você pode escolher ou não o discipulado de Jesus para sua vida; é um
direito seu. Mas, se for aceitar, tem de ser debaixo destas condições.
Dedicação total a Jesus Cristo. Você quer?
Nenhum comentário:
Postar um comentário