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Lucas 10.25-28 - AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO É A VIDA ETERNA

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO (1ª Parte)
AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO É A VIDA ETERNA

O desejo de vida eterna está entranhado dentro da personalidade humana. É este desejo que forma as religiões. Mas, mesmo quem não tem religião ou se diga ateu, também tem este desejo. No mundo atual, algumas atitudes demonstram isto: a busca por um bom condicionamento físico, uma alimentação mais natural, o uso de remédios para conservar a juventude, entre outros. As religiões, ao procurar a vida eterna, geralmente mandam que o fiel cumpra regras de vida e, deste modo, mereça tê-la. A parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-37) fala-nos acerca deste desejo de eternidade. Dividi o texto da parábola em partes para a compreendermos melhor. A primeira parte, que está em Lucas 10.25-28, fala-nos de como podemos receber a vida eterna.
Em certa ocasião, um intérprete da Lei de Moisés faz uma pergunta para Jesus em público (v. 25). Quem era um intérprete (ou Doutor) da Lei? A Lei de Moisés era a constituição de Israel. Havia leis sobre alimentos, doenças contagiosas, divisão da terra, patrimônio, os diversos tipos de sacrifícios, os Dez Mandamentos, etc. Além do que estava escrito, havia uma coleção de interpretações orais que foi se formando ao longo do tempo (jurisprudência). Um intérprete da Lei era a pessoa que vivia para estudar todo este conjunto de leis e ensinar aos interessados. Era um intelectual da época. Externamente, ele passa a imagem de respeito por Jesus: fica em pé ao fazer a pergunta e chama Jesus de Mestre. Interiormente, ele quer provar Jesus. Seu objetivo era debater e envergonhar Jesus diante da multidão. Ele queria fazer um duelo intelectual com Jesus e pensa que vai se sair vencedor.
A sua pergunta é: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?” (v. 25). Ele pensa em vida eterna como uma vida futura (porvir). Ele pensa que a vida eterna vem por fazer alguma coisa. Na mente dele, o “herdar” a vida eterna é por causa de fazer atividades (salvação pelas boas obras). Semelhante a este intérprete da Lei é toda pessoa que acha que, se seguir os deveres de uma religião, então conquistará a vida eterna. Estas pessoas pensam sempre “no que devem fazer” e buscam por merecimento pessoal através de seus esforços.
Jesus responde com duas perguntas. Ao fazer isto, Jesus inverte a questão para ele. Jesus não duela com ele, valoriza-o como alguém que possui conhecimento, mas se sobrepõe. As perguntas de Jesus são: “o que está escrito na Lei; como você a lê?” (v. 26). Já que ele é um doutor neste assunto, qual a interpretação dele sobre o que a lei diz?
O intérprete da Lei responde citando Deuteronômio 6.5 e Levítico 19.18. Ele respondeu: “ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento e ame o seu próximo como a si mesmo” (v. 27). Segundo sua resposta, observamos algumas verdades: 1ª) o amor tem de ser a Deus e ao próximo; não pode ser só a um deles; 2ª) há uma ordem no amor: primeiro Deus, depois o próximo; a ordem não pode ser invertida; 3ª) o amor ao Senhor, sai da pessoa inteira (todas as suas partes); é um amor que se entrega por inteiro a Deus; 4ª) o amor ao próximo só é possível se a pessoa tiver amor próprio pois este é a base daquele; uma pessoa que não gosta de si própria não conseguirá amar ninguém. É interessante que, em outros momentos, o próprio Jesus ensinou isto.

Jesus então respondeu a ele: “você respondeu corretamente; faze isto e viverás” (v. 28). Quando Jesus diz que ele respondeu corretamente, Jesus está pressupondo que existe certo e errado tanto na doutrina quanto na ética, tanto naquilo em que acreditamos quanto naquilo que fazemos. Hoje em dia, há uma ideia de que não faz a menor diferença no que você acredita, desde que acredite em algo. Para Jesus não é assim. Aquilo no que acreditamos tem de passar pelo crivo da verdade. Algumas crenças são falsas, outras são verdadeiras. Cabe um exame na Bíblia para saber o que deve ser crido e o que não deve. Mas Jesus também diz que só a doutrina correta não é salvação. O amor ao Deus verdadeiro e ao próximo é o caminho da salvação. Não são dois amores, é um só. Jesus está nos dizendo: "que a tua vida seja amar sempre, mas tem de amar a partir de agora”. A vida eterna não é algo que vai acontecer no futuro: é algo que acontece agora quando eu exerço o amor. Se você amar a Deus com todo o seu ser e amar as pessoas de forma concreta, você já está vivendo na vida eterna.

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