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Lucas 11.42-44 - APARÊNCIA DE JUSTIÇA EXTERNA, DEPRAVAÇÃO INTERIOR

A RELIGIOSIDADE QUE MATA (2ª Parte)
APARÊNCIA DE JUSTIÇA EXTERNA, DEPRAVAÇÃO INTERIOR

 Em geral, a religiosidade humana gosta e vive da aparência. Somos corretos, gentis e não falamos palavrões num culto ou missa, mas fora dali a história é outra. Na época de Jesus era assim também. Os fariseus eram um partido político-religioso que gostava da aparência exterior de santidade, mas a interioridade de seus membros era pavorosa. Veja como Jesus se posiciona diante disto em Lucas 11.42-44.
Continuando sua palavra na casa de um fariseu, durante uma refeição, Jesus diz a eles: “ai de vocês, fariseus, porque dão a Deus o dízimo da hortelã, da arruda e de toda sorte de hortaliças, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! vocês deviam praticar estas coisas, sem deixar de fazer aquelas” (v. 42). O “ai” de Jesus é seu grito de dor e juízo pelos fariseus. Falava a verdade acerca deles a fim de trazê-los ao arrependimento. Qual a verdade que ele disse? Que os fariseus eram muito escrupulosos em dar o dízimo até dos mais insignificantes temperos. Na Lei de Moisés havia a ordem de dar o dízimo das plantações: “todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas, pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor” (Levítico 27:30). Observe que era uma regra geral. No intuito de parecerem muito santos, eles davam o dízimo até do tempero que usavam. Dar o dízimo dos temperos até que era fácil, pois bastava saber fazer contas. O que eles desprezavam? A justiça que é a maneira correta de nos relacionarmos com as outras pessoas e o amor que é a capacidade de nos doar aos outros. Ou seja, tudo que tinha a ver com relacionamentos e ajuda a outras pessoas, os fariseus ignoravam. Tudo que tinha a ver com atividades estritamente pessoais (como dar dízimo de temperos), eles valorizavam porque dava uma aparência de santidade. Leitor, a prática sincera da justiça e do amor são maiores que as obrigações religiosas de sua igreja. É bom cumprir as obrigações que sua religião lhe orienta, mas elas não devem ser feitas se ferirem a justiça e o amor ou mesmo se colocarem estas virtudes em segundo plano. A justiça e o amor lhe ajudam a avaliar as obrigações que a sua religião manda fazer ou não fazer.
No v. 43, ele diz: “ai de vocês, fariseus, porque honram os lugares de honra nas sinagogas e as saudações em público”. Os religiosos fariseus amavam o poder de impressionar as pessoas mais simples, a bajulação e a admiração dos outros. Como amavam serem notados como gente importante. Lembro-me de uma briga no Congresso em que um deputado disse a outro: “vossa excelência é um canalha” e o outro respondeu: “vossa excelência é que é um mentiroso”. Eles falavam mal um do outro, mas não deixavam de usar o pronome de tratamento “vossa excelência”. Assim são pessoas religiosas que se colocam no alto e querem ser sempre elogiados. Se alguém os critica, usam todas as armas para destruir a reputação desta pessoa. Gostam de sentirem-se importantes. Sobre todos estes, Jesus exclama mais um “ai”.
Mas quem são os fariseus (e pessoas parecidas), de verdade? Jesus continua: “ai de vocês, porque são como túmulos que não são vistos, por sobre os quais os homens andam sem o saber!” (v. 44). Naquela época, pisar em um túmulo tornava a pessoa religiosamente impura. O problema eram os túmulos sem nenhuma marcação e as pessoas pisavam e não percebiam que estavam impuras. Os líderes religiosos que gostam de se aparecer e atrair a atenção para si, de como são especiais e santos, são pessoas cheias de podridão por dentro: guardam dentro de si a pornografia, a pedofilia, o estupro, o ódio, a vingança, a inveja, o orgulho e outros terríveis pecados. Mas as outras pessoas não sabem do que vai dentro deles. Só veem o exterior e dizem: “estes líderes são ótimos e abençoados”. Os seus liderados vão sendo prejudicados espiritualmente, sem saber. Um teólogo chamado Tolbert disse: “a pessoa revestida de justiça própria engana-se a si mesma; a sua religião é uma forma de escapar do verdadeiro eu”.

Não esconda podridão no seu interior revestida de uma capa externa de santidade. Mais cedo ou mais tarde, a podridão vai cheirar mal. O nosso exterior deve ser santo porque o nosso interior o é. O pecado não está no lado de fora, mas, essencialmente, dentro de nosso coração. A principal higiene é a do coração. O que você acha de começar a fazer uma limpeza no seu interior com a ajuda do Espírito Santo de Deus?

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