OS EMBATES DO
REI/MESSIAS JESUS COM A LIDERANÇA RELIGIOSA DE ISRAEL (4ª Parte)
A RESSURREIÇÃO
MANIFESTA OS FILHOS DE DEUS
Jesus continua
sendo testado pela liderança religiosa/política de Israel. Os dominadores
romanos permitiam que Israel se autogovernasse, desde que pagasse seus impostos
e fosse submisso. Israel tinha um Sinédrio (espécie de Congresso que governava)
e que era formada pela nata religiosa do País. Haviam dois grandes partidos no Sinédrio:
os saduceus (formada basicamente por importantes sacerdotes do templo) e
fariseus (grupo de pessoas que conhecia muito a Lei de Moisés). Estavam juntos
no governo, mas um assunto os dividia: a ressurreição dos mortos. Para os
saduceus, não haveria ressurreição nunca. Quem morresse, bom ou mau, iria para
o Sheol (mundo dos mortos) e ficaria lá para sempre. Os fariseus criam que
haveria ressurreição dos justos para voltar a viver aqui novamente com as
famílias restauradas e para viver para sempre num mundo de paz e justiça. É
esta questão que os saduceus levam a Jesus em Lucas 20.27-40.
“Chegaram então alguns saduceus, que dizem não haver
ressurreição, e lhe perguntaram: ‘Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se um
homem morrer, tendo mulher, mas não tendo filhos, seu irmão deverá casar com a
viúva e dar descendência ao irmão” (v. 27,28). Observe no texto bíblico
que os saduceus não acreditavam em ressurreição dos mortos. Vão propor um
problema para Jesus resolver para provar a tese deles. Falam então de um
mandamento de Moisés conhecida como “lei do levirato” na qual um irmão que morasse
com um irmão casado e este morresse, o irmão deveria casar-se com a cunhada e o
filho gerado seria considerado do irmão morto. Isto encontra-se em Deuteronômio
25.5,6. Na época de Jesus esta lei não era cumprida havia muito tempo. “Pois bem! Havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem
filhos; então, o segundo e depois o terceiro casaram-se com a viúva; e, assim,
os sete casaram e morreram sem deixar filhos. Depois disso a mulher também
morreu” (v. 29-32). Eles contam uma estória surreal, que nunca aconteceu,
só para confundir e fazer crer que não existia mesmo ressurreição dos mortos.
Pela lei do levirato, uma mulher casou-se com sete irmãos e não teve filhos com
nenhum. “Assim, na ressurreição, de qual deles ela será esposa, já que os sete
a tiveram como mulher?” (v. 33). Na concepção de ressurreição dos fariseus, que
era o retorno a esta vida biológica com a restauração das famílias na Terra, o
problema era real. Qual família seria formada na ressurreição, se casou com os
sete e não teve filhos com nenhum deles? Esta estória dava muita dor de cabeça
para os fariseus, mas não para Jesus. “Jesus lhes
respondeu: ‘Os filhos deste mundo casam-se e se dão em casamento’” (v. 34).
No texto grego original, onde se lê “mundo” deveríamos ler “era, tempo”, ou
seja, os filhos desta era presente. Jesus diz que vivemos num tempo onde o
biológico prevalece e é natural que as pessoas nasçam, cresçam, casem-se,
tenham filhos e morram. Esta é a forma atual de ser humano.
A partir de agora,
Jesus vai falar de uma nova era, em que ser humano será diferente do que é
agora. “Mas os que são julgados dignos de alcançar o
mundo vindouro e a ressurreição dentre os mortos não se casarão e nem se darão
em casamento. Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos e são
filhos de Deus, filhos da ressurreição” (v. 35,36). Aqui tem muito
ensino importante sobre a vida após a morte e vamos trabalhar cada ensino
separadamente. Em primeiro lugar, analisemos a frase “os que são julgados
dignos de alcançar o mundo vindouro e a ressurreição dentre os mortos”. Jesus
está dizendo que a morte física não é o fim da existência humana. Há um “mundo
vindouro” ou melhor “uma era vindoura” (costumamos chamar a era vindoura de “céu”).
Mas, só participarão da era vindoura, algumas pessoas da atual humanidade e não
todas as pessoas. Os que vão participar desta era vindoura são os “julgados
dignos de alcançar”. No texto grego original, o verbo “julgados dignos” está na
voz passiva. Isto significa que estas pessoas não chegarão lá pelos seus
méritos alcançados aqui na Terra. Quem os fará dignos é o próprio Deus. Toda a
humanidade é pecadora e não tem mérito perante o Supremo Juiz. É por este
motivo que a salvação é pela graça de Deus: “Pela
graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”
(Efésios 2.8). Em sua maravilhosa graça, Deus torna dignos os que vão alcançar
a era vindoura. Se alguém quer fazer parte deste grupo, siga o texto de Efésios
e deposite a fé de sua vida em Jesus Cristo: “Crê
no Senhor Jesus e tu e tua casa sereis salvos” (Atos 16.31).
Em segundo lugar,
vamos analisar a frase “(na) ressurreição dentre os mortos não se casarão e nem
se darão em casamento porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos
anjos”. O ser humano que morre continuará a ser humano, de uma forma diferente,
depois que morrer. Ele continua a ter a sua personalidade e a memória de sua
existência terrena. A ressurreição é a experiência do espírito de alguém que
morreu receber um novo tipo de corpo e voltar à composição humana
espírito/corpo unidos. Este novo corpo não é mais o biológico daqui, mas é um
corpo excepcional e exponencialmente melhor. Paulo chama este novo corpo de “corpo
de glória” conforme Filipenses 3.21 “Que
transformará o corpo da nossa humilhação, para ser semelhante ao corpo da sua
glória [...]”. Jesus cita duas características deste novo corpo e nestas
características os homens serão parecidos com os anjos: não há mais casamento e
procriação e nunca mais morrerão. Cada pessoa será perfeita e eternamente ela
mesma, sem reprodução. Nesta nova era, as pessoas jamais morrerão e,
consequentemente, jamais envelhecerão, terão dores, ficarão doentes, fracas ou
coisas deste tipo. Na nova vida, com este novo corpo, só haverá glória, luz,
honra e força. Observe como a vida humana na nova era será radicalmente
diferente da vida terrena aqui. Se você é, de coração, um discípulo de Jesus
Cristo, sua morte será a transição para a futura ressurreição, na qual tudo de
bom da parte de Deus te espera.
Porém, o mais
importante nesta vida da era vindoura foi dito por Jesus na seguinte frase: “e
são filhos de Deus, filhos da ressurreição”. Os que participarem desta bendita
ressurreição são filhos de Deus. Deus os adotou como filhos na mesma posição de
seu Filho Jesus Cristo. Eles serão o magnífico destaque da era vindoura. Todos
eles terão a mesma condição de filhos. Ser filho do próprio Deus significará,
para este grupo, que a vida do próprio Deus se manifestará neles e, por consequência,
serão os seres mais importantes desta era porvir (mais do que os anjos!). Certamente,
é por isto que Apocalipse 22.5 diz a respeito deste grupo de pessoas: “[...] porque o Senhor Deus os iluminará, eles reinarão
pelos séculos dos séculos”. Reis e rainhas iluminados, filhos de Deus,
que reinarão eternamente para a glória da Trindade divina.
Tendo falado
acerca da vida da ressurreição, Jesus agora prova aos saduceus, nas Escrituras,
que a ressurreição existe. “Mas, na passagem a respeito
da sarça, em que ele chama o Senhor de Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de
Jacó, o próprio Moisés mostrou que os mortos ressuscitam. Ele não é Deus de
mortos, mas de vivos, porque para ele todos vivem” (v. 37,38). Como os
saduceus citaram Moisés no início, Jesus fala acerca do encontro de Moisés com
o Senhor numa sarça (Êxodo 3). Abraão, Isaque e Jacó já tinham morrido cerca de
400 anos antes. Na conversa com Moisés, o Senhor referiu-se a si próprio como o
Deus deles. Jesus então diz que Deus não é Deus de mortos e sim de vivos.
Entendo isto da seguinte forma: a morte é uma etapa da existência entre a vida
terrena e a era vindoura inaugurada na ressurreição. Nesta etapa chamada morte,
as pessoas estão mortas para nós, os vivos; mas estão vivas para Deus, daí a
expressão “para ele (Deus) todos vivem”. E mais, se Deus já tornou dignas
pessoas como Abraão, Isaque e Jacó, então elas já têm em si a vida eterna que
desabrochará, com esplendor, na ressurreição dos mortos. A vida da ressurreição
já foi implantada por Deus em cada pessoa que creu nele, não importando se a
pessoa está viva ou morta. A vida da ressurreição é o destino eterno de todos, dos
que atualmente estão vivos e dos que estão agora mortos. Se você é de Cristo,
quando morrer, estará sendo cuidado por Deus com o mesmo amor como foi cuidado
aqui na terra, até que a ressurreição chegue.
“Alguns dos escribas disseram: ‘Mestre, respondeste bem’. E
não ousavam perguntar-lhe mais nada” (v. 39,40). Os fariseus,
adversários dos saduceus nesta questão da ressurreição, elogiaram Jesus. Eles
gostaram de Jesus ter mostrado aos saduceus o erro de interpretação deles. A partir
daí ninguém perguntou mais nada porque tudo Jesus respondia de tal forma que
eles tinham de se calar. Ninguém gosta de perder o tempo todo.
Prezado leitor,
deixe-me perguntar-lhe: você já está com sua ressurreição garantida? Você já
creu no sacrifício de Cristo na cruz para pagar seus pecados? Você já se despiu
de qualquer mérito pessoal e se entregou tão somente à graça de Deus? Se Jesus
está em seu coração, então quando sua morte ocorrer será uma promoção para algo
melhor, mas ainda não é o céu. A ressurreição, que acontecerá na segunda vinda
de Jesus Cristo, fará você adentrar a esta maravilhosa era vindoura. Lá, você terá
uma importância inimaginável e que nunca teve a mínima fração dela aqui na
Terra. Mantenha-se em Cristo até o fim de sua existência terrena e aguarde a
vida da qual Paulo falou em 1ª Coríntios 2.9: “Mas
como está escrito: ‘As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem
penetraram o coração humano, são as que Deus preparou para os que o amam’”.
“Vou preparar-vos lugar” (Jesus em João
14.2).
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