Conto: O DEUS
ARMINIANO
Autor: Whitson
Ribeiro da Rocha
Um casal teve gêmeos. Os pais
colocaram-lhes os nomes de Maria e João. No parto, Maria nasceu primeiro que
seu irmão. Os pais criaram seus filhos numa igreja cristã. Desde cedo, os
gêmeos demonstraram que eram muito unidos. Na adolescência, Maria ouviu do
evangelho e resolveu entregar sua vida para seguir a Jesus. Durante toda a sua
vida, Maria o serviu e lhe foi fiel, crendo em suas promessas. Na mesma
adolescência, João ouviu o mesmo evangelho, mas diferente de sua irmã, decidiu
que definiria isto depois e, no seu depois, rejeitou o evangelho para sempre.
Tinha planos para sua vida, confiava na sua capacidade para resolver as coisas
e as demandas daquele evangelho não cabiam em sua vida. Queria viver livre de
qualquer amarra religiosa. Maria e João cresceram, escolheram profissão,
formaram família, tiveram filhos e netos. Maria e João tiveram vidas muito
parecidas e se amaram muito como irmãos. A única diferença significativa entre
eles é que Maria viveu para Jesus e João viveu para si. Um fato estranho
aconteceu com eles: em avançada idade, cada um em sua casa, Maria e João
morreram no mesmo dia. Nasceram e morreram gêmeos.
Na
eternidade passada, o Deus arminiano estava a decidir se daria filhos a um
casal a quem ele amava. Quando ia criar alguém, o Deus arminiano olhava o
futuro das pessoas para saber se elas iriam ou não, por livre-arbítrio, receber
a salvação que ele realizara através de seu Filho na cruz. Decidiu dar um
presente ao casal: gêmeos. “Certamente, eles vão gostar”, pensou o Deus
arminiano. Na sua mente, ele projetou uma mulher e, como de costume, ele foi
averiguar quais seriam as decisões dela. Descobriu que seu nome seria Maria e,
quando viu que ela se tornaria uma seguidora fiel de Jesus, o Deus arminiano
abriu um largo sorriso e celebrou a tão bendita decisão dela. Ao projetar o
gêmeo da Maria, um homem, descobriu que seu nome seria João, mas ficou
profundamente triste porque ele recusaria o evangelho por toda sua vida.
Neste
momento, uma ideia atravessou a mente do Deus arminiano. Estava contente com as
decisões de Maria, mas ... e se ele trocasse o João por outra pessoa. Projetou
um substituto para João e viu uma outra possibilidade de gêmeo da Maria que se
chamaria Astaclínio. No futuro do Astaclínio, o Deus arminiano viu que ele
confiaria nele e seria salvo. O Deus arminiano estava numa situação difícil. É
certo que cada um deles teria o destino que escolheram individualmente. Ele
nunca impôs destino a ninguém. “Abri o caminho da salvação através da cruz de
Jesus, mandei que este evangelho fosse anunciado, graciosamente ofereci esta
salvação a cada ser humano, mas a decisão final de salvação é deles”. No
entanto, havia uma decisão a ser tomada e esta competia só a ele. O Deus
arminiano pensou, pensou e finalmente disse: “Não! Os gêmeos serão a Maria e o
João”.
Ao
tomar a decisão, o Deus arminiano olhou a situação do mundo em que Maria e João
nasceriam. Naquele tempo, haveriam 2 bilhões de pessoas. Criaria cada um deles.
Viu que, como Maria, haviam milhões e milhões que conheceriam sua graça. Alguns
o aceitariam no início da vida, enquanto outros já chegando no final. Alguns
enfrentariam duríssimas lutas para permenecer fiéis, ao passo que outros até
teriam uma vida tranquila. Mas também viu que milhões rejeitariam sua graça e
sua oferta de amor. Que triste decisão a deles. Entre estes que se perdiam,
observou que alguns deles até aceitariam Jesus em suas vidas, mas por extinção
da fé pessoal e uma volta para o mundo, eles perderiam a salvação na qual
tinham entrado antes.
Quando pensava nisto, outra ideia atravessou a mente do Deus arminiano. Ao decidir criar a Maria e o João, sabendo de antemão que Maria seria salva e João não, o Deus arminiano se perguntou se ele não estava desta forma decidindo o destino das pessoas e ficando muito parecido com a ideia de um Deus calvinista que, além de escolher quais indivíduos vai criar também escolhe pecadores para conhecer sua graça em Cristo.
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