A ÚLTIMA PÁSCOA DE JESUS
A Páscoa era a
festa mais importante para os judeus. Ela celebrava a poderosa libertação dos
escravos hebreus do Faraó e a saída do Egito. Celebrava ainda a formação de um
povo no Monte Sinai, três meses depois, quando fizeram um pacto com Yahweh de
ser o seu povo e receberam a Lei por intermédio de Moisés. Deus, liberdade,
nação e Lei: eis os pilares do povo de Israel nos tempos de Jesus. Mas chega o
momento em que Jesus celebra sua última Páscoa na companhia dos seus doze
apóstolos. Esta celebração é um misto de alegria e dor, esperança e sofrimento.
O relato da última Páscoa de Jesus está no texto de Lucas 22.14-18.
“E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa e com ele os apóstolos”
(v. 14). Chegou a hora da celebração da Páscoa. Estão naquela sala Jesus e seus
doze apóstolos. Ninguém mais. Jesus é o anfitrião. Ele dirige a cerimônia. “E disse-lhes: ‘Tenho desejado ardentemente comer convosco
esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até
que ela se cumpra no Reino de Deus’” (v. 15,16). Jesus está tomado pela
emoção. Ele desejou demais estar naquele momento de refeição com aqueles
homens. Ele sabe muito bem acerca dos atrozes sofrimentos que ele vai passar logo
após aquele momento. Esta refeição é como um pequeno raio de luz em uma
situação de densas trevas. É como um pequeno alívio diante de sua própria
paixão, do seu sofrer. Eles estavam celebrando uma Páscoa, mas, dali a algumas
horas, ele seria a páscoa, pregada numa cruz. Outro motivo para desejar comer
aquela páscoa é que seria a última que Jesus comeria na condição de vida
terrena. A próxima vez que ele comerá a páscoa será no cumprimento do Reino de
Deus. O que Jesus queria dizer com isto? Ele está fazendo uma profecia que tem
dois cumprimentos: o próximo e o remoto. O cumprimento próximo é que, no dia
seguinte, ele morreria como o Cordeiro de Deus sacrificado pelos outros; o
cumprimento remoto se dará quando o Reino de Deus chegar no seu auge, em seu
completo cumprimento e isto se dará num grande banquete que Deus Pai dará em
homenagem a seu Filho vencedor e a todos aqueles que foram salvos pela sua
cruz. Acerca deste banquete, o próprio Jesus disse em Lucas 13.29: “Muitos virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul,
e se sentarão à mesa no Reino de Deus” e também Apocalipse 19.9: “E disse-me: ‘Bem-aventurados aqueles que são chamados à
ceia das bodas do Cordeiro’”. Sim, Jesus prometeu que quando sua obra de
salvação terminasse neste mundo, ele daria uma grande festa onde todos os
salvos estarão, e comerão e beberão na sua presença com alegria eterna. Bendita
festa do casamento de Cristo com sua Igreja.
“Então havendo recebido um cálice e tendo dado graças, disse: ‘Tomai-o
e reparti-o entre vós; porque vos digo que, desde agora, não mais beberei do
fruto da videira, até que venha o Reino de Deus” (v. 17,18). Após comer
a páscoa judaica, Jesus pega o cálice único com vinho. Jesus agradece ao Pai
aquela refeição e aquele cálice porque ele sabe que toda liberdade vem de Deus.
Jesus toma o seu gole de vinho e passa o cálice aos seus amigos/apóstolos e
diz: tomem de mim e repartam entre vocês. Beber o vinho era um momento de
prazer de Jesus com seus amigos. Era um dos últimos atos de Jesus antes de ele
ser levado pela correnteza da maldade humana. Aquele era o vinho da alegria, do
prazer, da amizade e do congraçamento. Que momento lindo para Jesus! Sempre que
puder, dê ou participe de festas com seus amigos, pelo simples prazer de estar
com eles. Lembre-se: de Jesus, vem a alegria! Jesus então os informa que é a
última vez que ele beberá aquele vinho até que venha o Reino de Deus. Jesus diz
que, entre aquele momento e a vinda em plenitude do Reino de Deus, há um hiato
de tempo. Ele não diz quanto tempo este hiato vai durar. Já se passaram dois
mil anos e este hiato continua. O que cabe aos discípulos de Jesus no tempo
presente é lutar pela proclamação do evangelho, viver a vida com os valores de
Cristo e amar as pessoas com toda a energia possível. A oração dos cristãos é: “venha
o teu reino”, tanto em palavras quanto em ações. Mas também ter a certeza de
que o hiato vai acabar um dia, pois o Reino virá e Jesus vem com ele.
Há uma festa nos esperando
no fim desta história e início da nova história. Jesus, o grande anfitrião,
estará lá com um sorriso imenso, feliz por receber a todos que ele conquistou
na cruz e fazendo-nos um brinde com seu vinho novo. E você? Participará desta
festa?
Nenhum comentário:
Postar um comentário