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Lucas 22.14-18 A última Páscoa de Jesus

 A ÚLTIMA PÁSCOA DE JESUS

 

A Páscoa era a festa mais importante para os judeus. Ela celebrava a poderosa libertação dos escravos hebreus do Faraó e a saída do Egito. Celebrava ainda a formação de um povo no Monte Sinai, três meses depois, quando fizeram um pacto com Yahweh de ser o seu povo e receberam a Lei por intermédio de Moisés. Deus, liberdade, nação e Lei: eis os pilares do povo de Israel nos tempos de Jesus. Mas chega o momento em que Jesus celebra sua última Páscoa na companhia dos seus doze apóstolos. Esta celebração é um misto de alegria e dor, esperança e sofrimento. O relato da última Páscoa de Jesus está no texto de Lucas 22.14-18.

E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa e com ele os apóstolos” (v. 14). Chegou a hora da celebração da Páscoa. Estão naquela sala Jesus e seus doze apóstolos. Ninguém mais. Jesus é o anfitrião. Ele dirige a cerimônia. “E disse-lhes: ‘Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no Reino de Deus’” (v. 15,16). Jesus está tomado pela emoção. Ele desejou demais estar naquele momento de refeição com aqueles homens. Ele sabe muito bem acerca dos atrozes sofrimentos que ele vai passar logo após aquele momento. Esta refeição é como um pequeno raio de luz em uma situação de densas trevas. É como um pequeno alívio diante de sua própria paixão, do seu sofrer. Eles estavam celebrando uma Páscoa, mas, dali a algumas horas, ele seria a páscoa, pregada numa cruz. Outro motivo para desejar comer aquela páscoa é que seria a última que Jesus comeria na condição de vida terrena. A próxima vez que ele comerá a páscoa será no cumprimento do Reino de Deus. O que Jesus queria dizer com isto? Ele está fazendo uma profecia que tem dois cumprimentos: o próximo e o remoto. O cumprimento próximo é que, no dia seguinte, ele morreria como o Cordeiro de Deus sacrificado pelos outros; o cumprimento remoto se dará quando o Reino de Deus chegar no seu auge, em seu completo cumprimento e isto se dará num grande banquete que Deus Pai dará em homenagem a seu Filho vencedor e a todos aqueles que foram salvos pela sua cruz. Acerca deste banquete, o próprio Jesus disse em Lucas 13.29: “Muitos virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e se sentarão à mesa no Reino de Deus” e também Apocalipse 19.9: “E disse-me: ‘Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro’”. Sim, Jesus prometeu que quando sua obra de salvação terminasse neste mundo, ele daria uma grande festa onde todos os salvos estarão, e comerão e beberão na sua presença com alegria eterna. Bendita festa do casamento de Cristo com sua Igreja.

Então havendo recebido um cálice e tendo dado graças, disse: ‘Tomai-o e reparti-o entre vós; porque vos digo que, desde agora, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus” (v. 17,18). Após comer a páscoa judaica, Jesus pega o cálice único com vinho. Jesus agradece ao Pai aquela refeição e aquele cálice porque ele sabe que toda liberdade vem de Deus. Jesus toma o seu gole de vinho e passa o cálice aos seus amigos/apóstolos e diz: tomem de mim e repartam entre vocês. Beber o vinho era um momento de prazer de Jesus com seus amigos. Era um dos últimos atos de Jesus antes de ele ser levado pela correnteza da maldade humana. Aquele era o vinho da alegria, do prazer, da amizade e do congraçamento. Que momento lindo para Jesus! Sempre que puder, dê ou participe de festas com seus amigos, pelo simples prazer de estar com eles. Lembre-se: de Jesus, vem a alegria! Jesus então os informa que é a última vez que ele beberá aquele vinho até que venha o Reino de Deus. Jesus diz que, entre aquele momento e a vinda em plenitude do Reino de Deus, há um hiato de tempo. Ele não diz quanto tempo este hiato vai durar. Já se passaram dois mil anos e este hiato continua. O que cabe aos discípulos de Jesus no tempo presente é lutar pela proclamação do evangelho, viver a vida com os valores de Cristo e amar as pessoas com toda a energia possível. A oração dos cristãos é: “venha o teu reino”, tanto em palavras quanto em ações. Mas também ter a certeza de que o hiato vai acabar um dia, pois o Reino virá e Jesus vem com ele.

Há uma festa nos esperando no fim desta história e início da nova história. Jesus, o grande anfitrião, estará lá com um sorriso imenso, feliz por receber a todos que ele conquistou na cruz e fazendo-nos um brinde com seu vinho novo. E você? Participará desta festa?

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