UM MENINO SEM
IGUAL
É costume dos pais que amam seus filhos
ter a tendência de ver o lado bom deles. Os atos maus, eles costuma relevar ou
achar que não houve nada e que a professora ou a vizinha enganaram-se. Para um
crescimento pessoal equilibrado, as crianças precisam de elogio naquilo que
fazem bem, de incentivo naquilo em que procuram melhorar e repreensão quando
fazem o mal. Pais que amam sabem julgar o comportamento dos filhos, não
permitindo que a paixão ofusque esta capacidade de julgamento. No texto de Lucas 2.41-52, encontramos a surpresa,
o assombro positivo dos pais de Jesus em relação a ele. Jesus foi um menino sem
igual.
Todo
ano, José e Maria iam de Nazaré para Jerusalém celebrar a festa da Páscoa (v.
41). Era uma caminhada de 100 Km, de um lugar a outro. Como a Páscoa era a
principal festa de Israel (ela celebrava a libertação do cativeiro egípcio),
formavam-se caravanas de fiéis onde havia ajuda e proteção mútua. O menino
Jesus deve ter ido em muitas destas viagens. Na festa em que ele completou 12
anos, havia um motivo a mais para ele ir: ele seria preparado para participar
de um ritual chamado “Bar Mitzvah”
que significa: “filho da Lei”, quando completasse 13 anos. Nesta cerimônia, ele
assumiria formalmente ser um membro pleno da comunidade israelita, seguidor da
Lei de Moisés (v. 42). É interessante o apego dos pais do menino Jesus e dele
próprio à fé do seu povo Israel.
José
e Maria retornam na caravana de parentes e amigos para Nazaré após a Festa da
Páscoa (v. 43). Naquele tumulto de gente, não perceberam que o menino tinha
ficado em Jerusalém. Eles caminharam o dia inteiro, pensando que estivesse com
os companheiros de viagem (v. 44). Quando deram por sua falta, procuraram-no
com os parentes e amigos. Não o encontrando, voltaram imediatamente a Jerusalém
(v. 45). Foram em todos os lugares onde tinham estado e muitos outros. A busca durou
três dias (v. 46). Imagine a aflição destes pais.
Enquanto seus pais o procuravam, o menino
Jesus estava no Templo de Jerusalém (v. 46). Aquele lugar era considerado a
casa de Deus no meio do povo de Israel. Ele estava no centro de um debate com
os doutores da Lei de Moisés, ouvindo, perguntando e discutindo com eles acerca
de Lei e da revelação de Deus no Antigo Testamento. Imagine um grande grupo de
homens de idade, barbas brancas, estudiosos de longa data das Escrituras, num
interessantíssimo debate com um menino de doze anos! E mais: eles ficaram
maravilhados, de boca aberta, com o profundo entendimento que aquela criança
demonstrava (v. 47). Foram três dias sabatinando aquele menino e ele saiu-se
tão bem que chegou ao ponto de confundi-los. Aos doze anos de idade, Jesus
conhecia profundamente as Escrituras e sua interpretação delas é nova, como
vento fresco em um deserto árido. É muito importante ensinar as histórias e os
conceitos da Bíblia a nossos filhos de uma forma que consigam entender. É muito
importante levá-los a classes de estudos bíblicos em igrejas que promovem este
tipo de ensino.
Os pais, preocupados, ficaram perplexos e
cheios de alegria quando viram seu menino no meio dos doutores (v. 48). Penso
que, depois do susto, eles ficaram maravilhados, honrados, pelo filho que
tinham. Com carinho, Maria pergunta-lhe porque ele fez isto com eles. Ele ali,
tranquilo, por três dias e eles, aflitos, procurando. A resposta de Jesus a
seus pais mostra que ele tinha clareza acerca de quem era e de sua missão, com
doze anos de idade! Jesus lhes diz que, por muitas revelações anteriores, eles
já deveriam saber que ele estaria no templo e que ele era o próprio Filho de
Deus (v. 49). Veja, literalmente, o que Jesus diz a seus pais humanos: “não
sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?”. Ele está dizendo que a sua
filiação com Deus é muito mais importante que a filiação terrena com Maria e
José. Outra coisa: estar na casa do Pai era uma obrigação/missão (eu devia
estar). Ou seja, ele tinha uma missão a cumprir e ela estava ligada a seu Pai
Celestial. Ele sabia que era o eterno Deus Filho e que sua missão era resgatar
a humanidade de volta para seu Pai.
Maria e José não entenderam o que ele
dizia (v. 50). Ficaram confusos e cheios de dúvidas. Mas, Maria guardava todas
estas palavras e os acontecimentos em seu coração (v. 51). Ela não sabia, mas,
no tempo próprio, contaria tudo isto a alguém que iria escrever um livro sobre
seu filho.
Sendo humano, Jesus era perfeito como
criança e submeteu-se a seus pais para obedecê-los (v. 51). Aqui está um claro
ensinamento bíblico na questão familiar: a criança deve obedecer aos pais. Em muitas
famílias, as crianças tornaram-se “reizinhos” e mandam em seus pais. Isto está
errado! Pais têm autoridade sobre os filhos enquanto são crianças e
adolescentes. Jesus aprendeu a profissão de seu pai e tornou-se carpinteiro.
Cresceu em três aspectos (v. 52): em estatura, pois tornou-se um homem adulto
forte e cheio de saúde. Em sabedoria, pois cada vez conhecia mais as
Escrituras, as ciências de seu tempo e lugar e, principalmente, a vida humana.
Em graça diante de Deus e dos homens, pois ele tinha uma espiritualidade e um
relacionamento com Deus perfeitos e, sendo assim, não se tornou uma pessoa
chata, esnobe ou um crítico mas cultivava genuína amizade com as pessoas. Elas
gostavam dele.
O menino tornou-se um homem adulto. Iremos
reencontrá-lo quando chegar a época do seu batismo (Lucas 3.21). Ele estará com
cerca de trinta anos.
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