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Lucas 22.28-30 A nomeação

 A NOMEAÇÃO

 

Um momento importante na política e em instituições públicas é quando alguém é nomeado para comandar algum cargo público. Quando um presidente, governador ou prefeito é eleito, há expectativas e intensas negociações para a nomeação de ministros e secretários. Sendo nomeada oficialmente, a pessoa tem todo o direito para gerir sua pasta conforme entender. A nomeação gera poder de mando. Jesus, como rei em seu reino, nomeia seus discípulos para que eles governem. Isto está simbolizado através dos doze apóstolos em Lucas 22.28-30.

Este texto vem depois de uma discussão entre os apóstolos sobre quem seria o maior, o cabeça, no reino de Jesus. Jesus afirmou que, no seu reino, aquele que serve os demais seria o maior. O reino dele era de amor e cuidado com o próximo. Dirigindo-se ao grupo dos doze, Jesus diz: “Mas vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações” (v. 28). Jesus afirma que teve uma vida de tentações. As tentações foram feitas para que ele pecasse. Ele teve este tipo de vida porque escolheu servir, como diz o v. 27. Mas ele não foi tentado sozinho. Falando aos doze, diz que eles ficaram ao seu lado nestes momentos difíceis. Foi uma escolha deles porque decidiram viver a vida de Jesus. É interessante que Jesus recebeu forças de um grupo tão frágil como aquele para vencer suas próprias tentações. Isto significa que Jesus preza nossas lutas cotidianas que temos para vencer nossas próprias tentações e continuar perto dele no discipulado. Nossas lutas não são em vão.

O incrível acontece agora. Como autoridade em seu reino, veja o que Jesus diz: “e assim como meu Pai me conferiu um reino, eu o confiro a vós” (v. 29). A palavra grega “diatíthemai” que é traduzida por conferir, pode também ser traduzida como nomear. Agora Jesus, como autoridade, nomeia aqueles fracos companheiros não só como seu reino, mas também está dando o reino a eles para que governem. Ouça o que Jesus diz em Lucas 12.32: “Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino”. E veja que antes dessa nomeação de Jesus, o seu próprio Pai o nomeou reino e líder deste reino. Então temos uma escala de nomeações: o Pai nomeia Jesus o líder do Reino e Jesus nomeia seus discípulos como os líderes deste mesmo Reino. Chamo a atenção para três aspectos desta nomeação: 1) o Reino de Deus é dado àqueles homens: foram nomeados, lhes pertence, reinarão; 2) observe a relação entre estar com Jesus nas tentações (v. 28) e receber o Reino por nomeação (v. 29): lutar contra as tentações neste mundo nos capacita a governar o Reino, ou seja, somos feitos reis e rainhas do Reino de Deus nas lutas contra o mal neste mundo; 3) note a perfeita integração entre o Pai, seu Filho Jesus e deste com os discípulos: todos reinam e, ao mesmo tempo, todos passam o reino. Quando alguém é nomeado para governar uma área, o governo do nomeado não é dele, mas de quem o nomeou. Assim ocorre aqui: o governo é tanto do Pai, quanto de Jesus, quanto de seus discípulos.

Ao nomear o Reino para eles, Jesus lhes dá dois direitos: “Para que comais e bebais à minha mesa no meu reino e vos senteis sobre tronos para julgar as doze tribos de Israel” (v. 30). O primeiro direito que Jesus dá é de comer e beber na mesa dele. Comer e beber na mesa de alguém é ser íntimo e querido por esta pessoa. Os discípulos terão intimidade e uma relação amorosa com Jesus, seu Pai e seu Espírito. O reino de Jesus é de puro prazer para seus ocupantes. A nova vida se baseia na alegria: aqui misturada com as tristezas das tentações; lá, plena de glória e regozijo. O segundo direito que Jesus dá aos seus é que eles governarão, julgarão e estabelecerão a justiça em todo o Reino. A palavra julgar aqui tem o sentido não apenas de decidir o que é justo, mas também de governar. Os doze apóstolos serão a referência para todo o Israel de Deus, que abrange todo o povo de Deus, independentemente da nacionalidade judaica, como o apóstolo Paulo expressou em Gálatas 6.16: “E a todos quantos andarem conforme esta norma, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre todo o Israel de Deus”. Por extensão, todo o povo de Deus governará e julgará. Você, leitor, que é um humilde seguidor de Jesus, você governará a nova criação de Deus, o reino dele. Você foi nomeado por Jesus para isto: governar e julgar. O seu aprendizado nesta vida para poder governar lá não é sobre administração ou política, mas é o seu exercício do amor, compaixão, justiça, bondade, solidariedade, etc.

Comunhão e intimidade com o Pai, Jesus e o Espírito Santo e governar como reis e rainhas o reino que pertence a Deus, a nova criação. Estas são as duas promessas de Jesus aos seus discípulos. Elas são desfrutadas agora em meio a lutas e tentações e serão desfrutadas no futuro na plenitude da alegria, do poder e da celebração. Tudo isto já é de direito aos discípulos que andam com Jesus, enfrentando suas tentações, desânimos, frustrações e perplexidades em relação a esta vida. Eles não abrem mão de Jesus e nem Jesus abre mão deles porque já os nomeou governantes!

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