Pesquisar neste blog

Lucas 22.31-34 O apagão da fé

 O APAGÃO DA FÉ

 

Jesus havia nomeado seus discípulos para ser os líderes do reino de Deus. O problema é que eles ainda pensavam em um reino político-militar. Como Jesus sabia que o reino envolvia cruz e sofrimento, ele começa a preparar Pedro e os demais para o que virá. Os discípulos de Jesus são pessoas de fé. Mas na vida de cada um, ocorrem situações em que a fé parece terminar e a pessoa vive numa incredulidade temporária. É o apagão da fé que pode durar horas ou anos. Pedro, como exemplo de todos os cristãos, vai ter de enfrentar seu apagão em Lucas 22.31-34.

Jesus falou de coisas gloriosas futuras como a liderança do reino de Deus. Agora ele fala do difícil presente. Assim ocorre na vida de todos os discípulos: um futuro glorioso e um presente de fraqueza. Todos são indignos do futuro que Deus dará. Jesus escolhe o líder natural do grupo para servir como exemplo: “Simão, Simão, Satanás vos pediu para peneira-los como trigo” (v. 31). Simão era o nome natural dele. Jesus trocou seu nome para Pedro. A troca tinha a ver com a liderança que ele teria na nascente igreja. Mas aqui, Jesus se dirige a ele pelo seu nome Simão duas vezes a fim de chamar a atenção para o que vai dizer. É sério e importante. Satanás é o inimigo de Deus e do seu povo. Um ser angelical que se devotou ao mal. Segundo Jesus, todos os apóstolos seriam alvos da tentação deste ser. Satanás queria destruir o grupo todo, testando a força espiritual de cada um, como fez com Jó. Jesus usa a figura tão comum de sua época de peneirar o trigo. Faziam isto para separar o grão bom da palha e dos grãos ruins. O objetivo de Satanás era que abandonassem a fé em Jesus e, desta forma, mostrar quão indignos estes homens eram. Satanás não conhece a graça, ele só trabalha com os conceitos de mérito e fraqueza.

Mas agora Jesus se contrapõe ao Satanás e intercede especificamente pelo Simão, tendo em vista que ele era o líder do grupo e teria a pior desilusão: “Mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça” (v. 32). Seguindo o desejo do Pai, Jesus implorou por ele. O objetivo da intercessão de Jesus era que a fé de Simão não se apagasse para sempre na sua existência. Isto nos dá um duplo recado: como humanos, podemos abandonar de vez a fé em Jesus; se permanecemos nela, é graças à Trindade divina (o Pai que ouve intercessão e o Filho e o Espírito que intercedem). Permanecer na fé em Jesus é um paradoxo incompreensível: por um lado, tudo depende de nós e do nosso esforço em permanecer; por outro lado, tudo depende exclusivamente de Deus, que nos guarda de tropeçar. Jesus aparece aqui como o grande intercessor do seu povo. Nenhum discípulo, por menor que seja, fica sem esta proteção dele. Ele cuida das suas ovelhas. Ele cuida de você! Quando o Simão voltar do apagão da fé, Jesus lhe dá a missão de ser o suporte, o fortalecedor dos seus irmãos. A igreja de Jesus é família, todos são irmãos e irmãs e compete a cada um fortalecer os outros na fé e no amor. Mas Simão só pode fazer isto porque passou pelo seu próprio apagão e retornou, ou seja, aprendeu com a vida.

Agora é Pedro quem responde. A humildade de Simão dá lugar à tolice do Pedro: “Respondeu-lhe Pedro: ‘Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte” (v. 33). Pedro responde que Jesus é o Senhor dele. Isto é bom, mas depois desanda. Ele se arroga uma força incrível como discípulo: seria capaz até de ser preso e morrer por Jesus. O que acontece com Pedro é o mesmo de muitos cristãos: enquanto a situação está boa, todos são corajosos e destemidos em nome de Cristo. Quando a situação fica difícil, o normal é fugir e entrar em desespero e ansiedade.

Mas Jesus, que conhece suas ovelhas, diz a ele: “Tornou-lhe Jesus: ‘Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces’” (v. 34). Jesus faz uma predição acerca de pessoas e situações. O Pedro vai negar enfaticamente que conhece Jesus. Não é ser preso ou morrer, é negar que o conhece! O canto do galo é o sinal para a lembrança do que Jesus falou. Na iminência de sua morte, Jesus controla detalhes ínfimos, mas de grandes significados.

Todo este texto sobre Simão Pedro lança uma pergunta existencial importante para todos os discípulos de Jesus: quem de nós é apto para seguir Jesus pelas suas próprias forças? Quem de nós está livre de sofrer apagão da fé? Quem de nós pode dizer que conseguirá chegar ao fim desta jornada de discípulo? Jesus ensina aos seus que alguém só pode vencer pela intercessão dele e por sua ajuda durante toda a vida. É Jesus quem nos ajuda a acabar a carreira e guardar a fé. “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6).

Nenhum comentário:

Postar um comentário