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Lucas 22.39-40,45-46 A oração vence a tentação

 A ORAÇÃO VENCE A TENTAÇÃO

 

Todos nós passamos por situações aflitivas na vida quando temos de tomar determinadas decisões. Muitas vezes são decisões custosas que terão um impacto muito grande e não sabemos o que realmente devemos escolher. Outras vezes somos tentados a cometer determinado ato que sabemos ser errado, mas que pode nos ajudar a sair de uma situação difícil. Ainda outras vezes, sabemos que a decisão certa vai nos custar muito caro e tentamos subterfúgios para fugir dela. É com estes dilemas que Jesus estava no texto de Lucas 22.39-40,45-46. Vamos ver como ele saiu desta situação.

Jesus tinha acabado de celebrar a Páscoa e a Ceia numa confortável casa com seus apóstolos. Seguia agora a passos firmes e decididos para um monte rústico. Mas seu coração ia pesaroso e aflito porque estava diante da maior de todas as decisões de sua vida e a tentação por escolher o caminho fácil era muito forte. “Então saiu e, segundo o seu costume, foi para o Monte das Oliveiras; e os discípulos o seguiram” (v. 39). Jesus sabe que há um destino traçado para ele, ao mesmo tempo, ele saiu de onde estava em direção ao monte porque era protagonista do seu destino. Jesus gostava de estar no Monte das Oliveiras. Era o lugar onde passava a noite, junto com outros peregrinos pobres que iam a Jerusalém. Ele quer a paz deste lugar para a batalha que vai enfrentar. Com ele, estão seus onze apóstolos: testemunhas e participantes (nem tanto) daquele momento.

Quando chegou àquele lugar, disse-lhes: ‘Orai, para que não entreis em tentação’” (v. 40). Eles chegam em um lugar alto e Jesus lhes dá uma ordem: orai. No momento mais decisivo de sua vida, Jesus vai orar e pede a seus amigos que orem por ele. Oração aqui não é um ritual ou uma mandinga, que vá garantir sucesso a quem pede. Oração é comunhão com o Pai, abrindo o coração para ele e recebendo sua atenção e carinho. Esta maneira de entender a oração evita que entremos no ambiente da tentação. Jesus ensina que a força para vencer a tentação vem da comunhão real com Deus.

Vamos deixar a oração que Jesus fez a seu Pai para um outro momento (v. 41-44) e vamos analisar a reação dos discípulos neste momento crucial da vida de Jesus.  Depois, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos e achou-os dormindo de tristeza” (v. 45). Jesus estava orando de joelhos, afastado do grupo de discípulos. Terminada a oração, ele vai agir. A oração não é um fim em si mesma, divorciada do resto da vida. Ela dá consequência a uma forma de viver. Se não for assim, acontecem coisas absurdas como a dos inquisidores que oravam antes de torturar suas vítimas ou a de uma alta patente do Exército, na época da ditadura militar, que saia de um culto evangélico e ia torturar os presos políticos, ou ainda de um grupo de bandidos nos morros cariocas que oravam pedindo proteção para os roubos e sequestros que iam cometer ou de um parlamentar que orou com seus amigos agradecendo a propina que acabava de receber. Todos estes, ao orar, cumpriram um ritual religioso que nada tinha a ver com a vida real deles. Jesus é diferente. Ele ora pedindo a vontade do Pai e levanta-se da oração para fazer esta vontade.

Mas, ao chegar perto dos discípulos, encontra-os dormindo de tristeza. Eles estavam fisicamente cansados, pois a semana fora bastante agitada. Mas também estavam tristes e angustiados porque Jesus falou muito em sua morte e eles esperavam que ele fosse coroado rei dos judeus em Jerusalém. A tristeza dominava a vida deles naquele momento difícil. Para resolver a tristeza, eles encontraram seu refúgio no sono. Isto é próprio do ser humano. Pessoas que estão angustiadas e tristes buscam refúgio em dormir, trabalhar muito, comer demais, não comer nada, consumir álcool ou drogas, etc. A que você recorre quando a tristeza domina seu coração? Jesus recorria à comunhão sincera com o Pai em oração!

Ao se aproximar dos discípulos, Jesus os acorda: “E disse-lhes: ‘Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai para que não entreis em tentação” (v. 46). Jesus sempre nos acorda para a vida. Estes falsos refúgios que criamos para nossa existência são derrubados por Jesus que faz, da vida verdadeira, uma aventura e uma batalha pela qual vale a pena lutar. A proposta dele, repetindo o v. 40, é que você se levante para a vida e busque a comunhão sincera com Deus para vencer seus medos, angústias e tristezas. Você sempre terá estas coisas em sua vida, mas elas serão positivas se forem apresentadas a Deus em oração e você tiver o firme propósito de se levantar e viver de forma adequada com a oração que fez.

Não lhe parece estranho que, na hora mais difícil e decisiva de sua vida, Jesus recorra a algo tão simples como orar? Ele poderia ter-se reunido com homens importantes ou mesmo os discípulos para examinar qual estratégia deveria usar para enfrentar os líderes judeus que queriam matá-lo ou poderia movimentar o povo que o seguia com uma mensagem pedindo que este mesmo povo o defendesse. Não fez nada disto. Simplesmente, foi orar! Quem decidia sua vida era seu Pai celestial. A oração, que parece ser algo tão fraco, é a mais potente força do Universo para a implementação do bem, da justiça e do amor na existência humana. É na oração e na ação consequente que o Reino de Deus vem a nós.

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