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Lucas 22.41-44 A mais importante oração da história da humanidade

 A MAIS IMPORTANTE ORAÇÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

 

Orações são diálogos ou rezas com a divindade ou com alguém por ela autorizada. Embora não exista qualquer resposta perceptível no momento, o fiel que ora acredita que a divindade está ouvindo o que ele diz. De todas as infinitas orações feitas pelos seres humanos, aquela que se encontra registrada em Lucas 22.41-44 é a mais importante em toda a história da humanidade. E isto por dois motivos: quem a faz e a implicação dela para o destino da própria humanidade e do Universo.

E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e pondo-se de joelhos, orava ... Então lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caiam sobre o chão” (v. 41,43,44). Jesus está na mais completa angústia e agonia. Algumas indicações do texto demonstram isto. Em primeiro lugar, ele se afastou dos seus por cerca de 50 metros para orar, pois queria ficar sozinho. Normalmente, o judeu daquela época orava em pé e com a cabeça voltada para o céu. Jesus se ajoelha e esta posição indica uma submissão e total dependência daquele a quem vai se pedir alguma coisa. Ajoelhar-se era próprio das pessoas que se humilhavam diante daquelas que poderiam lhes prestar um grande favor. Jesus se humilha perante seu Pai porque vai lhe rogar o mais importante pedido de sua vida. Em segundo lugar, um anjo veio para confortá-lo. Esta é a única vez nos evangelhos na qual um anjo o conforta. Na tentação no deserto, os anjos o serviam (Marcos 1.13). Mas aqui um anjo precisa lhe ajudar para que ele tenha forças espirituais para enfrentar a situação que se aproximava. Jesus estava fragilizado. Em terceiro lugar, ele estava “em agonia” e orava mais intensamente. Isto demonstra um espírito inquieto e imerso em angústia. Leitor, você já teve estes sentimentos em uma situação difícil na sua vida? Prostração, inquietação, agonia, angústia, medo que o fazia suar frio, terror só em pensar no que poderia acontecer? Se teve, você está chegando perto do que Jesus estava passando. Mas só perto, porque em quarto lugar, seu suor se transformou em grandes gotas de sangue. Segundo a medicina, isto só ocorre quando o nível de tensão de uma pessoa é tão absurdamente grande, que as veias de seu rosto se rompem e, junto com a água, sai sangue. Jesus está a ponto de explodir internamente como ser humano. Ele está no limite da própria morte. O evangelista Mateus, falando sobre este momento, anota as seguintes palavras de Jesus: “A minha alma está triste até a morte” (26.38). Jesus estava no limite da morte interior. Nenhum ser humano chegou neste lugar!

Mas, por que ele chegou neste nível de vida? Para desvendar a razão de tão grande sofrimento, é necessário entender a oração do v. 42: “Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. No momento mais decisivo da tentação dele, ali estava o Pai.  Este nunca lhe faltou como ternura, ajuda, referência e autoridade. Jesus ora ao Pai porque este vai definir as escolhas de sua vida. Mas esta relação com o Pai, aqui, não é harmônica. Aqui é conflituosa em termos de vontades. A dele é uma, a do Pai é outra. Ele suplica o impossível ao Pai: não beber de um determinado cálice. A palavra cálice significa taça, copo para beber vinho. O vinho é bebido para o prazer. Mas este cálice é do mais terrível sofrimento, um cálice amargo como fel ou chá de mastruz. Lemos sobre este cálice no Antigo Testamento quando ele é direcionado ao povo de Israel e aos ímpios na rebeldia deles: “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do Senhor o cálice do seu furor; que bebeste da taça de atordoamento e a esgotaste” (Isaías 51.17) e também “Sobre os ímpios fará chover brasas de fogo e enxofre; um vento abrasador será a porção do seu cálice” (Salmo 11.6). Este cálice está cheio da ira e do furor de Deus contra os pecados humanos. E por que a vontade de Jesus é que o Pai retire este cálice de suas mãos? É porque ele terá de bebê-lo integralmente na cruz. Jesus, que é o Santo, na cruz, terá de receber em si mesmo todo o pecado da humanidade em todos os tempos, tornando-se pecado: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores ... Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades” (Isaías 53.4,5) e “Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós” (2ª Coríntios 5.21). Jesus, que é o Filho Amado de seu Pai: “Este é o meu filho amado” (Mateus 3.17) e “O Pai ama o Filho” (João 3.35), terá, na cruz, de receber dele sua ira e seu furor na mais intensa forma: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46). Você, leitor, consegue perceber o que está em jogo nesta simples oração de Jesus a seu Pai?

 Mas, observe com atenção a oração. Jesus não pede que sua vontade seja feita e a do Pai colocada de lado. Não! Ele diz: “Pai, se queres ...”. Quem ia decidir era o Pai na vontade dele. “Se queres” significa que ele já sabe a resposta. O Pai não quer afastar o cálice dele; o Pai quer que ele o beba integralmente. E Jesus aceita a eterna decisão de seu Pai: “não se faça a minha vontade, mas a tua”. Desde o início tudo estava acertado, mas Jesus precisava desabafar sua dor e angústia perante aquele que o conforta, ajuda e determina. Definido: o Pai quer e Jesus aceita beber o cálice do seu sofrimento. Feliz é a humanidade que será salva como resultado desta oração.

O que a mais importante oração da história e, ao mesmo tempo, a mais simples, nos ensina? Em primeiro lugar: Jesus e seu Pai entraram em uma aliança para salvar a humanidade e trazê-la para a comunhão deles. O preço para conseguir isto foi absurdamente caro, mas eles o pagaram. Glória, honra e louvor a Jesus e seu Pai por tão grande graça! Em segundo lugar, toda a angústia e dor do crente deve ser apresentada a seu Pai. A oração sincera muda nosso ânimo. Em terceiro lugar, a vontade do Pai sempre prevalecerá e ela será para nosso bem. Aceite a realidade e, ao mesmo tempo, busque melhorá-la. “Não a minha vontade, mas a tua aconteça”.

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